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Brazil achieves very high development tier for the first time, according to data from Radar IDHM 2024 with participation of the IBGE

Section: IBGE | Gabriella Santos Carmo e Éderson Araújo

May 27, 2026 12h14 PM | Last Updated: May 29, 2026 10h56 AM

Brazil reached, in 2024, a level of 0,805 in the Municipal Human Development Index (IDHM) and, for the first time, is part of a group of countries with very high development index, according to Radar IDHM 2024 report, released this Tuesday (26), at Casa da ONU, in Brasília. The publication is being published again after ten years.

The remainder is temporarily in Portuguese. 

A publicação, elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e o IBGE, apresenta a evolução do indicador entre 2012 e 2024, com análises por diferentes recortes territoriais e evidências de avanços associados à ampliação do acesso à educação, à saúde e à renda.

O objetivo é retratar a realidade brasileira a partir do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), indicador que avalia três dimensões centrais da vida social — renda, educação e longevidade — revelando não apenas os avanços do país, mas também as desigualdades históricas ainda presentes no território nacional. O Radar IDHM amplia esse olhar ao apresentar dados desagregados por raça/cor (negro e branco) e sexo (mulher e homem), permitindo enxergar com maior precisão as múltiplas realidades brasileiras nos diferentes recortes territoriais.

Presidente do IBGE, Marcio Pochmann, participou do lançamento da publicação e destacou a participação do IBGE para a construção da inteligência pública capaz de compreender as complexidades do país. Foto: Gabriella Carmo/IBGE

Mais do que uma plataforma estatística, o Radar IDHM representa um instrumento estratégico para fortalecer políticas públicas, combater desigualdades estruturais e aprofundar a democracia informacional no país. Ao iluminar as diferenças sociais que historicamente permaneceram invisibilizadas, o projeto reafirma que produzir estatísticas públicas de qualidade é também um ato de soberania, inclusão e transformação social.

“No Brasil, essa parceria com o IBGE permite internalizar essa metodologia internacional do PNUD e olhar para as diversidades relativas aos municípios”, destacou o Presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Marcio Pochmann.

A iniciativa reforça o papel do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e do IBGE na construção de uma inteligência pública capaz de compreender o Brasil real em toda a sua complexidade. Em tempos de profundas mudanças econômicas, sociais, tecnológicas e ambientais, conhecer detalhadamente quem somos, onde estamos e como vivem os brasileiros deixou de ser apenas uma tarefa técnica: tornou-se uma condição indispensável para projetar um futuro mais justo, desenvolvido e socialmente integrado.

O documento apresenta, pela primeira vez, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal ajustado à Desigualdade (IDHMAD), que incorpora ao cálculo as desigualdades existentes dentro de cada uma das dimensões do IDHM. “O IDHMAD representa mais do que uma inovação metodológica, é um instrumento de política pública”, ressaltou Claudio Providas, representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Betina Barbosa, economista chefe da PNUD, destacou que em 2024, o IDHM Brasil atingiu sua melhor marca durante a apresentação dos dados. Foto: Gabriella Carmo/IBGE

O relatório aprofunda a análise das três dimensões do IDHM, com ênfase na evolução dos indicadores ao longo da última década. Durante a apresentação, Betina Barbosa, economista chefe da PNUD, destacou que em 2024, o IDHM Brasil atingiu sua melhor marca. A série temporal, por ela analisada, que vai de 2012 a 2024, mostra que o IDHM do Brasil cresceu de 0,744 para 0,805.

“Com isso, atingimos não apenas o maior valor já visto, mas adentramos a faixa de muito alto desenvolvimento humano. Esse resultado significa que agenda da saúde está completando seu ciclo (…) os indicadores de educação também avançam em uma velocidade três vezes maior do que o observado no início da série. Isso se dá, sobretudo, pela inclusão da população negra no país”, explicou Betina Barbosa.

A economista falou, ainda, sobre as desigualdades estruturais em regiões e grupos sociais. Ela ressaltou a renda como a dimensão mais frágil do IDHM Brasil e pontuou a necessidade de avanço na agenda de geração de renda e de políticas redistributivas no país.

A coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks também destacou o avanço significativo do Brasil. “Os números mostram que os brasileiros e as brasileiras vivem mais, estudam mais e tiveram ampliação do acesso à renda e às oportunidades. Revelam também a força das políticas públicas e da ação coordenada do Estado em parceria com a sociedade”, afirma.

O Ministro-CHefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, reforçou que o IDHM é fundamental para orientar decisões governamentais e promover o desenvolvimento humano no Brasil. Foto: Gabriella Carmo/IBGE

Outro ponto central do relatório é o papel das políticas públicas para a melhoria dos indicadores sociais. De acordo com o Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, que estava presente no evento, o Brasil evoluiu em seus municípios nos últimos anos – apesar da interrupção do desenvolvimento durante a pandemia.

“Tivemos a conclusão de um processo de avanço no âmbito educacional e aprimoramento das políticas do SUS. Com isso, permitimos o aumento da expectativa média de vida que faz evoluir o IDHM (…) O IDHM chegou em um padrão muito alto, esse resultado provém de políticas sociais e de inclusão… mas esse fato não nos deixa acomodados e conscientes dos desafios que ainda temos em relação a dimensão da renda.”, concluiu o ministro.

Para ele, o monitoramento contínuo do IDHM, com base em dados consolidados pelo IBGE, é fundamental para orientar decisões governamentais e promover o desenvolvimento humano no Brasil.

Análise dos resultados

Segundo o Representante Residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Cláudio Providas, os resultados são positivos: “O Brasil já provou que pode mudar, já provou que pode crescer. Os estados do Nordeste são os que mais puxaram, em grande maioria, e provaram que podem crescer, porque cresceram de maneira mais rápida nesse período, a exemplo do Piauí e Alagoas. Tudo isso prova que a trajetória pode ser alterada quando há vontade política e um compromisso social”, destaca.

Cláudio Providas acrescenta que o desafio do país é promover crescimento com inclusão social, destacando o papel dos jovens na construção de políticas públicas mais justas: “Tivemos um bate-papo muito interessante com os jovens, para saber quais são suas expectativas, suas aspirações e como seguimos crescendo de maneira mais inclusiva para todo o Brasil. Porque essa é a questão que o Brasil se coloca, não é se pode crescer, mas quem terá lugar nesse crescimento,” reflete.

Segundo a coordenadora do Projeto IDHM na Fundação João Pinheiro, Cláudia Guimarães, o paradigma do desenvolvimento humano, que foi consolidado pelo PNUD: “Promoveu uma mudança profunda na forma como compreendemos o desenvolvimento. Ou seja, não se trata apenas de produzir mais riqueza no nosso país, mas de garantir às pessoas condições de viver uma vida longa e saudável, acessar o conhecimento e uma renda digna. E essa visão nos trouxe para o centro do debate político uma pergunta que é essencial: Desenvolvimento para quem? Ao se agregar o índice para a escala municipal e para os recortes intra metropolitanos e interurbanos, o IDHM revelou algo que as médias nacionais escondiam: as profundas desigualdades, realidades muito distintas coexistindo dentro de um mesmo Estado, dentro de uma mesma região metropolitana e muitas vezes dentro de uma mesma cidade. Essa capacidade de territorialização transformou o IDHM em um instrumento estratégico para todos nós”, explica.

Cláudia Guimarães acrescentou que os indicadores territorializados ajudam governos a enxergar desigualdades concretas, identificar vulnerabilidades e orientar políticas mais focalizadas e mais obedientes às necessidades reais da nossa população. “Médias elevadas não significam necessariamente desenvolvimento inclusivo. Um território pode apresentar um IDHM relativamente alto e ainda assim conviver com desigualdades profundas no acesso à renda, à educação e à saúde,” analisa.

Carta da Juventude pelo Futuro da Democracia

O último painel do evento contou com a presença dos jovens universitários Yago Romão e Victória Santos que apresentaram uma carta contendo cinco pontos que consideram ser importantes para debater o futuro da juventude: reconhecimento dos territórios urbanos, rurais e de povos e comunidades tradicionais como espaços fundamentais de existência; garantia de trabalho digno e tempo livre como condição de cidadania plena; criação de mecanismos vinculantes e representativos de participação dos jovens nos processos de tomada de decisão; reconhecimento por parte do governo da violência contra jovens, mulheres, negros, indígenas e pessoas LGBTQIA+ como uma crise estrutural que exige respostas urgentes; e o quinto ponto da carta diz respeito à incorporação do multiletramento informacional e socioemocional como componente curricular obrigatório da educação básica.  

Acesse o relatório completo aqui. 

Assista a apresentação do IDHM 2024 no IBGE Digital.



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