Índice de Preços ao Produtor (IPP) é de -0,25% em fevereiro
31/03/2026 09h00 | Atualizado em 31/03/2026 09h30
Em fevereiro de 2026, os preços da indústria variaram -0,25% frente a janeiro de 2026. Nessa comparação, 13 das 24 atividades industriais tiveram diminuição de preços. O índice acumulado em 12 meses se mantém negativo, em -4,47%. O acumulado no ano foi de 0,07%.
O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas.
| Período | Taxa |
|---|---|
| Fevereiro de 2026 | -0,25% |
| Janeiro de 2026 | 0,32% |
| Fevereiro de 2025 | -0,12% |
| Acumulado no ano | 0,07% |
| Acumulado em 12 meses | -4,47% |
Em fevereiro, 13 das 24 atividades industriais investigadas na pesquisa apresentaram variação negativa nos preços ante o mês imediatamente anterior, seguindo o sinal da variação no índice da indústria geral. Em comparação, 10 atividades haviam apresentado menores preços médios em janeiro em relação ao mês anterior.
As quatro altas mais intensas em fevereiro foram: máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,73%); perfumaria, sabões e produtos de limpeza (1,44%); metalurgia (1,41%); e vestuário (1,32%).
| Índice de Preços ao Produtor, segundo as Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Seções, Brasil, últimos três meses |
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Indústria Geral e Seções | Variação (%) | ||||||||
| M/M-1 | Acumulado no Ano | M/M-12 | |||||||
| Dez/2025 | Jan/2026 | Fev/2026 | Dez/2025 | Jan/2026 | Fev/2026 | Dez/2025 | Jan/2026 | Fev/2026 | |
| Indústria Geral | 0,14 | 0,32 | -0,25 | -4,51 | 0,32 | 0,07 | -4,51 | -4,35 | -4,47 |
| B - Indústrias Extrativas | 3,14 | 1,39 | -0,61 | -14,39 | 1,39 | 0,78 | -14,39 | -11,88 | -9,35 |
| C - Indústrias de Transformação | 0,01 | 0,27 | -0,23 | -4,01 | 0,27 | 0,04 | -4,01 | -3,98 | -4,24 |
| Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coord. de Estatísticas Conjunturais em Empresas | |||||||||
Na comparação entre os preços de fevereiro e janeiro, alimentos foi o setor industrial de maior destaque na composição do resultado agregado. A atividade influenciou com -0,21 ponto percentual (p.p.) na variação de -0,25% da indústria geral. Outras atividades que também sobressaíram foram metalurgia, com 0,10 p.p. de influência, veículos automotores (-0,05 p.p.) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (0,05 p.p.).
O acumulado do ano, que compara os preços do mês de referência aos de dezembro do ano anterior, atingiu variação de 0,07%. Entre as atividades que, em fevereiro de 2026, tiveram as maiores variações no acumulado no ano, se destacaram: metalurgia (4,19%), perfumaria, sabões e produtos de limpeza (3,12%), impressão (2,73%) e produtos de metal (2,43%). Enquanto as principais influências foram registradas em metalurgia: 0,28 p.p., alimentos: -0,27 p.p., outros produtos químicos: 0,15 p.p. e refino de petróleo e biocombustíveis: -0,11 p.p.
No acumulado em 12 meses, calculado comparando os preços de fevereiro de 2026 aos de fevereiro de 2025, o IPP chegou a -4,47%. Em janeiro, este indicador estava em -4,35%.
Os setores com as quatro maiores variações de preços na comparação de fevereiro com o mesmo mês do ano anterior foram: impressão (19,34%); refino de petróleo e biocombustíveis (-10,22%); alimentos (-10,00%); e indústrias extrativas (-9,35%). E, também na comparação com fevereiro de 2025, os setores que mais influenciaram o resultado agregado foram: alimentos (-2,53 p.p.); refino de petróleo e biocombustíveis (-1,05 p.p.); outros produtos químicos (-0,68 p.p.); e indústrias extrativas (-0,43 p.p.).
Entre as grandes categorias econômicas, o resultado mensal de fevereiro repercutiu assim: -1,29% de variação em bens de capital (BK); -0,25% em bens intermediários (BI); e -0,03% em bens de consumo (BC), sendo que a variação observada nos bens de consumo duráveis (BCD) foi de -0,15%, ao passo que nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND) foi de -0,01%.
A principal influência dentre as Grandes Categorias Econômicas foi exercida por bens intermediários, cujo peso na composição do índice geral foi de 53,77% e respondeu por -0,13 p.p. do IPP de fevereiro. Completam a lista, bens de capital, com influência de -0,10 p.p. e bens de consumo com -0,01 p.p. No caso de bens de consumo, a influência observada em fevereiro se divide em -0,01 p.p., que se deveu à variação nos preços de bens de consumo duráveis, e 0,00 p.p. associada à variação de bens de consumo semiduráveis e não duráveis.
| Índice de Preços ao Produtor, variação segundo as Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Grandes Categorias Econômicas, Brasil, últimos três meses |
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Indústria Geral e Grandes Categorias Econômicas | Variação (%) | ||||||||
| M/M-1 | Acumulado no Ano | M/M-12 | |||||||
| Dez/2025 | Jan/2026 | Fev/2026 | Dez/2025 | Jan/2026 | Fev/2026 | Dez/2025 | Jan/2026 | Fev/2026 | |
| Indústria Geral | 0,14 | 0,32 | -0,25 | -4,51 | 0,32 | 0,07 | -4,51 | -4,35 | -4,47 |
| Bens de Capital (BK) | 0,47 | -0,65 | -1,29 | 0,71 | -0,65 | -1,94 | 0,71 | -0,58 | -1,08 |
| Bens Intermediários (BI) | 0,35 | 0,54 | -0,25 | -7,26 | 0,54 | 0,29 | -7,26 | -6,60 | -6,73 |
| Bens de Consumo (BC) | -0,22 | 0,20 | -0,03 | -1,49 | 0,20 | 0,17 | -1,49 | -1,79 | -1,83 |
| Bens de Consumo Duráveis (BCD) | 0,00 | 0,03 | -0,15 | 3,11 | 0,03 | -0,12 | 3,11 | 2,08 | 1,57 |
| Bens de Consumo Semiduráveis e Não Duráveis (BCND) | -0,26 | 0,24 | -0,01 | -2,36 | 0,24 | 0,23 | -2,36 | -2,53 | -2,48 |
| Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coord. de Estatísticas Conjunturais em Empresas | |||||||||
No acumulado no ano, a variação chegou a -1,94%, no caso de bens de capital; 0,29% em bens intermediários; e 0,17% em bens de consumo – sendo que bens de consumo duráveis acumulou variação de -0,12%, enquanto bens de consumo semiduráveis e não duráveis, 0,23%.
Em termos de influência no resultado acumulado no ano, bens de capital foi responsável por -0,15 p.p. dos 0,07% verificados na indústria geral até fevereiro deste ano. Bens intermediários, por seu turno, respondeu por 0,16 p.p., enquanto bens de consumo exerceu influência de 0,06 p.p. no resultado agregado da indústria, influência que se divide em -0,01 p.p. devidos às variações nos preços de bens de consumo duráveis e 0,07 p.p. causados pelas variações de bens de consumo semiduráveis e não duráveis.
No acumulado em 12 meses, a variação de preços de bens de capital foi de -1,08% em fevereiro/2026. Os preços dos bens intermediários, por sua vez, variaram -6,73% neste intervalo de um ano e a variação em bens de consumo foi de -1,83%, sendo que bens de consumo duráveis apresentou variação de preços de 1,57% e bens de consumo semiduráveis e não duráveis de -2,48%.
No que diz respeito às influências no resultado agregado em 12 meses (-4,47%), bens de capital foi responsável por -0,08 p.p. em fevereiro. Houve, ainda, influência de -0,68 p.p. de bens de consumo e de -3,71 p.p. de bens intermediários.
O resultado de bens de consumo, em particular, foi influenciado em 0,09 p.p. por bens de consumo duráveis e em -0,78 p.p. por bens de consumo semiduráveis e não duráveis, este último com peso de 83,44% no cômputo da categoria de bens de consumo.
Destaques setoriais
Indústrias extrativas: o setor extrativo registrou queda de 0,61% em relação ao mês anterior. Apesar do resultado negativo, o recuo não compensou o aumento observado em janeiro. Assim, no acumulado do ano, o setor permaneceu em terreno positivo, com variação de 0,78%. O destaque dado ao setor se justifica pelo desempenho no acumulado em 12 meses, que apresentou uma retração de 9,35% frente aos preços praticados em fevereiro de 2025 e influência de -0,43 p.p. no resultado geral de -4,47%.
Observou-se um comportamento relativamente homogêneo de queda entre os produtos do setor. O único contraponto foi o item “óleos brutos de petróleo”, que exerceu influência no sentido de atenuar a deflação observada no agregado. O comportamento dos produtos da atividade segue alinhado à trajetória dos mercados internacionais.
Alimentos: pela décima vez consecutiva, a variação mensal dos preços do setor é negativa. Em fevereiro contra janeiro, o recuo foi de 0,87%. No acumulado no ano, a variação é de -1,12%. Já o acumulado em 12 meses foi a -10,00%, resultado mais intenso que o de janeiro (-9,92%).
O setor mereceu destaque por figurar como a terceira maior variação, em módulo, no acumulado em 12 meses e por ser a principal influência tanto na comparação mensal (-0,21 p.p., em -0,25%) quanto anual (-2,53 p.p., em -4,47%) e a segunda no acumulado no ano (-0,27 p.p., em 0,07%).
Em termos de influência, os quatro produtos destacados respondem por -0,19 p.p., em -0,87%. Dos produtos que mais influenciaram o setor, destacam-se, com aumento de preços, leite esterilizado / UHT / Longa Vida e carnes de bovinos frescas ou refrigeradas. No caso da carne, os informantes justificaram o aumento por pressão de custo. Já o aumento do leite foi justificado ora como aumento no preço da matéria-prima, ora como aumento de demanda. Já pelo lado da queda, os açúcares exerceram a maior influência. Essa queda está alinhada ao recuo dos preços internacionais, atrelado a estratégias empresariais, como a de oferecer descontos.
Refino de petróleo e biocombustíveis: neste setor, houve queda de 0,50% dos preços em fevereiro. Com isso, o acumulado no ano avançou a -1,16%. No acumulado em 12 meses, a queda chega a -10,22%, queda mais intensa desde março de 2024 (--11,81%).
O setor teve destaque, em termos de variação, por ser a segunda mais intensa, em módulo, na comparação entre fevereiro deste ano e fevereiro do ano passado. Foi ainda a quarta influência no acumulado no ano (-0,11 p.p., em 0,07%) e a segunda na comparação anual (-1,05 p.p., em -4,47%). Vale observar que o conflito entre os Estados Unidos e o Irã teve início no final de fevereiro.
Outros produtos químicos: o preço dos produtos químicos recuou 0,26% na porta da fábrica na comparação com o praticado em janeiro. A variação acumulada no ano ficou em 1,94%. Em 12 meses, com preços 8,29% menores que os de fevereiro de 2025, o setor também foi destaque por sua influência, nesse caso negativa: -0,68 p.p. no total de -4,47% do IPP.
O resultado de fevereiro frente a janeiro é produto, entre outros fatores, do arrefecimento do choque de custos na fabricação de insumos fertilizantes fosfatados. O grupo econômico de “fabricação de produtos químicos inorgânicos” apresentou aumento de 0,57% nos preços, indicando um repasse menor que o aumento de 3,03% em janeiro pôde ter traduzido.
Metalurgia: os preços do setor voltaram a apresentar uma alta e avançaram 1,41% em fevereiro, na comparação com o mês imediatamente anterior. Esse resultado fez com que o setor se destacasse, dentre as 24 atividades analisadas na pesquisa, como a terceira variação mais intensa e a segunda principal influência (0,10 p.p. em -0,25%) no indicador mensal.
O grupo de maior influência nesses indicadores (mensal e acumulado no ano), com impacto positivo em ambos, foi o de metais não ferrosos. Suas variações costumam estar ligadas às cotações das bolsas internacionais e, nesse mês, foram impactadas, principalmente, por variações do ouro, que teve sua cotação impulsionada por aumentos da demanda pelo ativo. A alta do ouro foi um dos fatores que mais que compensaram a queda do dólar frente ao real observada tanto no mês, de 2,6%, quanto no acumulado no ano, de 4,6%, e fizeram o grupo se destacar como a principal influência positiva nesses resultados da atividade.
Máquinas, aparelhos e materiais elétricos: em fevereiro, os preços do setor apresentaram uma variação de 1,73% na comparação com o mês imediatamente anterior, quinto resultado positivo seguido no indicador, destacando-se como a variação mais intensa dentre todos os setores industriais analisados na pesquisa, além de ser a quarta principal influência no indicador geral (0,05 p.p. em -0,25%). Com isso, nos dois primeiros meses de 2026, o setor acumulou uma variação de 1,82%. E a taxa acumulada dos últimos 12 meses acelerou para 7,06%, depois de ter apresentado um resultado de 4,41% em janeiro.
Ao analisar os produtos que se destacaram no mês, percebe-se que dois deles aparecem como destaque positivo em todos os indicadores, seja em termos de variação, seja de influência: “condutor elétrico com capa isolante tensão menor/igual a 1kv” e “fios de cobre isolados para bobinar”, ambos do grupo econômico de “fabricação de equipamentos para distribuição e controle de energia elétrica”, tendo seus preços impactados por maiores custos de produção, em especial dos derivados de cobre, por conta das recentes altas na cotação da commodity. Outro destaque positivo no indicador mensal de fevereiro, em termos de influência, é o produto “geradores de corrente contínua de outros tipos”, enquanto o produto “transformadores de dielétrico líquido” se destacou afetando negativamente o resultado do setor.
Veículos automotores: em fevereiro a atividade, a quarta de maior peso na indústria geral (7,87%), apresentou variação mensal de -0,68%, uma reversão na série de altas iniciada em junho de 2025. O acumulado em 2026 ficou em -0,67%, refletindo a estabilidade (0,01%) de janeiro; e, para os últimos 12 meses, o acumulado da atividade foi de 1,60%, reforçando a tendência de desaceleração iniciada em setembro de 2025 (4,12%).
Do total da variação mensal de -0,68%, os produtos “caminhão diesel com capacidade superior a 5t”, “caminhão-trator, para reboques e semirreboques”, “chassis com motor para ônibus ou para caminhões” e “filtro ar/óleo/combustível motores de veículos automotores” foram responsáveis por -0,58 p.p. Os demais 19 produtos da atividade responderam pelos outros -0,10 p.p.
Saiba mais sobre o Índice de Preços ao Produtor – Indústrias Extrativas e de Transformação - IPP:
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