IBGE
Oficinas participativas fecham o Workshop de Experiências em Censos de População de Rua
16/04/2026 13h30 | Atualizado em 16/04/2026 14h30
O terceiro dia do Workshop de Experiências de Censos da População em Situação de Rua, nesta quarta-feira (15), foi marcado pelas oficinas de debates. Movimentos sociais, pesquisadores e órgãos puderam sugerir e comentar questões práticas que estão sendo preparadas para Censo Nacional, que será realizado em 2028.
O workshop está sendo realizado desde segunda-feira (13), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sede da Advocacia-Geral da União (AGU), no Rio de Janeiro.
Dentre os temas que mais suscitaram debates, estiveram as perguntas que estarão nos questionários que o IBGE está montando e os métodos de mapeamento dos territórios, já que o censo de população de rua, por sua característica, não ocorrerá por setores censitários.
Para o coordenador-geral de operações censitárias do IBGE, Fernando Damasco, o debate desta quarta-feira, pela riqueza das contribuições, proporcionou uma dupla-troca entre o IBGE e os convidados. Havia, por exemplo, uma preocupação dos pesquisadores sobre como o IBGE evitaria duplicidades, o que ele fez questão de elucidar.
“A gente (no IBGE) é treinado a vida inteira para não duplicar e não omitir. E nesse censo, nós vamos duplicar. O problema de duplicar é que você vai ter esforços para tirar a duplicação. E isso se chama método. A gente tem método para isso. A equipe da CTD (Coordenação Técnica do Censo Demográfico) está criando formas de remover a duplicação. O maior desafio é o questionário de observação”, explicou Damasco.
A oficina com mais contribuições foi a do questionário do Censo, mediada por Marta Antunes, da Diretoria de Pesquisas (DPE), com os pesquisadores da DPE Giulia Scappini e Bruno Mandelli. Temas como infecções sexualmente transmissíveis, nome social, necessidade de apresentação de documentos e violências foram levantados pelos participantes. Todas as questões levantadas foram consideradas pelos pesquisadores.
“Em outras pesquisas do IBGE que envolvem essas temáticas, como uso de substâncias e violências, como a PNS e a Pense, você tem orientações muito claras sobre, por exemplo, não entrevistar na presença de outra pessoa, mulheres responderem apenas pesquisadoras mulheres, perguntas sensíveis serem respondidas apenas pela pessoa de forma privada. Na medida do possível, vamos levar e tentar incorporar este método no Censo da População em Situação de Rua”, explicou Mandelli, ao responder, por exemplo, sobre a recusa de mulheres responderem se sofrem violência quando estiverem em um grupo no qual o possível autor vive na rua com ela.
Para garantir que, quando for à rua, o Censo esteja com o questionário mais adaptado possível, os pesquisadores lembraram aos participantes que as pesquisas-piloto estarão a campo, de forma que os testes serão essenciais para uma pesquisa mais aderente. Assim, o coordenador-geral de operações censitárias defendeu que o IBGE estará pronto para problemas como, por exemplo, o uso inadequado dos números ou dados distorcidos pelo público quando o Censo for finalizado, mantendo os padrões estatísticos do IBGE.
“Como instituto nacional de estatística, o IBGE precisa ouvir a sociedade, os movimentos sociais, as prefeituras, o governo, os pesquisadores, quando constrói as pesquisas. O dado tem que ser relevante, confiável e factível para todos os públicos. E a gente sabe que em contextos polarizados, de desinformação, vai ser necessário comunicar bastante, ser transparente e explicar”, comentou Fernando Damasco, ao defender o contexto dos debates que ocorreram no workshop.
Temas
Antes das oficinas desta quarta-feira, o workshop contou com dois dias que envolveram diferentes temáticas. Na segunda-feira, o IBGE e movimentos que envolvem a população em situação de rua, além do Governo Federal, expuseram o histórico e as motivações da pesquisa. Na terça-feira foi a vez dos convidados, como entes federativos e universidades relatarem experiências prévias com censos regionais, para que o IBGE aprenda com as experiências passadas.
Toda a programação do workshop foi transmitida pela internet. O conteúdo está disponível neste link para o encontro da manhã e neste link para o da tarde.