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Indústria regional

Produção industrial avança 0,9% e cresce em 11 dos 15 locais pesquisados em fevereiro

Editoria: Estatísticas Econômicas | Vitor da Costa

09/04/2026 09h00 | Atualizado em 09/04/2026 12h32

Avanço na indústria de bebidas influencia na recuperação da indústria gaúcha, um dos destaques da produção industrial em fevereiro - Foto: Rodrigo Felix Leal/Arquivo AEN

Na passagem de janeiro para fevereiro, a produção industrial brasileira cresceu 0,9%, na série livre de influências sazonais, com 11 dos 15 locais pesquisados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional apresentando resultados positivos.

Os maiores avanços foram registrados no Espírito Santo (11,6%) e Rio Grande do Sul (6,7%), com ambos interrompendo dois meses consecutivos de queda na produção, período em que acumularam perdas de 11,3% e 6,8%, respectivamente.

Por outro lado, Mato Grosso (-0,9%) e Goiás (-0,8%) apresentaram os recuos mais elevados neste mês, com o primeiro local intensificando a perda observada no mês anterior (-0,8%); e o segundo marcando o quarto mês seguido com queda na produção, período em que acumulou redução de 12,4%.

O analista da pesquisa Bernardo Almeida destaca que com o crescimento em fevereiro, a produção industrial acumula um ganho de 3% nos dois últimos meses. O indicador elimina, portanto, a perda de 2,3% acumulada no período de setembro a dezembro de 2025.

“Esse movimento pelo segundo mês seguido pode ser explicado pela necessidade de algum tipo de recomposição de estoques após o período de queda no final do ano passado que diminuiu os níveis dessa variável”, disse Almeida.

O analista ressalta que fatores macroeconômicos seguem influenciando o desempenho da indústria.

“Temos uma política monetária contracionista com taxas de juros em patamares elevados, estreitando e encarecendo as linhas de crédito, reduzindo investimentos e arrefecendo, assim, a produção industrial”, ressalta.

Na comparação com fevereiro de 2025, a indústria recuou 0,7%, com nove dos 18 locais pesquisados registrando queda na produção.

O indicador acumulado nos últimos doze meses avançou 0,3% em fevereiro, ainda positivo, mas assinalando perda de ritmo frente aos resultados dos meses anteriores. No índice acumulado para janeiro-fevereiro de 2026, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial registrou perda de 0,2%, com resultados negativos em nove dos 18 locais pesquisados.

Espírito Santo e Rio Grande do Sul são destaques

A indústria capixaba foi o grande destaque do mês em termos absolutos e segundo lugar em influência para o total da indústria, mostrando alta após dois meses de resultados negativos. O resultado de fevereiro foi o mais intenso desde maio de 2025 (17,5%). Neste mês, indústrias extrativas foi a atividade que mais influenciou o resultado positivo do estado.

Rio Grande do Sul (6,7%) foi o segundo lugar em termos absolutos e o primeiro em termos de influência no mês. Com o resultado, a indústria gaúcha interrompe dois meses consecutivos de quedas, registrando a taxa mais elevada desde junho de 2024 (35,6%), quando a indústria local retomou as atividades após as enchentes que paralisaram a produção no estado. Nesse mês, entre os setores que auxiliaram a recuperação estão bebidas e veículos automotores.

“A indústria capixaba eliminou a perda de 11,3%, acumulada em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, enquanto a indústria gaúcha eliminou quase totalmente a sua perda de 6,8%, acumulada no mesmo período. Ambos os movimentos nos permitem fazer uma leitura compensatória às perdas anteriores”, explica Almeida.

Bahia (3,2%), Pará (2,7%), Ceará (2,5%), Amazonas (1,7%), Santa Catarina (1,0%) e Região Nordeste (1,0%) também registraram avanços mais intensos do que a média nacional (0,9%), enquanto Pernambuco (0,6%), São Paulo (0,5%) e Rio de Janeiro (0,2%) completaram o conjunto de locais com taxas positivas em fevereiro de 2026.

Pelo lado das quedas, Mato Grosso (-0,9%) e Goiás (-0,8) registram os recuos mais elevados em fevereiro, com o primeiro local intensificando a perda observada no mês anterior (-0,8%); e o segundo marcando o quarto mês consecutivo de queda na produção, período em que acumulou redução de 12,4%.

Minas Gerais (-0,3%) e Paraná (-0,1%) também mostraram resultados negativos em fevereiro de 2026.

Indústria cede 0,7% na comparação com fevereiro de 2025

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o setor industrial apresentou perda de 0,7% em fevereiro de 2026, com nove dos 18 locais pesquisados registrando queda na produção. Vale ressaltar que fevereiro de 2026 (18 dias) teve 2 dias úteis a menos que igual período do mês anterior (20).

Rio Grande do Norte (-24,5%) apresentou o recuo mais acentuado neste mês (-24,5%), seguido pelo Ceará (-9,8%) e Paraná (-7,7%). A indústria potiguar foi pressionada, em grande parte, pelas atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel), produtos alimentícios (castanha de caju descascada ou triturada, balas, farinha de trigo, sal de cozinha iodado, condimentos e temperos compostos, açúcar cristal e café torrado e moído) e indústrias extrativas (sal marinho associado à extração).

Amazonas (-7,2%), Goiás (-6,1%), Santa Catarina (-5,9%), Bahia (-4,1%), São Paulo (-3,6%) e Maranhão (-1,6%) completaram o conjunto de locais com redução na produção neste tipo de comparação. Minas Gerais, ao marcar variação nula (0,0%) neste mês, repetiu o patamar de produção verificado em fevereiro de 2025.

Por outro lado, Espírito Santo (31,3%) e Pernambuco (25,0%) registraram os avanços mais elevados de fevereiro. O analista da pesquisa destaca que as expansões bem expressivas dos estados podem ser explicadas pelas baixas bases de comparação observadas no mesmo período do ano anterior.

“Na indústria capixaba, o setor extrativo impulsiona esse crescimento com aumento na produção de minérios de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural. Já na indústria pernambucana, o setor de derivados do petróleo destaca-se com crescimento expressivo de 18630,3%, uma vez que, no mesmo período do ano anterior, algumas plantas industriais encontravam-se paralisadas nesse setor e, por isso, a expressividade da variação”, explica Almeida.

Mato Grosso do Sul (8,3%), Rio de Janeiro (5,8%), Mato Grosso (2,9%), Região Nordeste (1,6%), Rio Grande do Sul (0,7%) e Pará (0,4%) registraram os demais resultados positivos nessa base de comparação.

Saiba mais sobre a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física – Divulgação Regional – PIM-PF:

A PIM Regional produz, desde a década de 1970, indicadores de curto prazo relativos ao comportamento do produto real das indústrias extrativas e de transformação. Traz, mensalmente, índices para 17 unidades da federação cuja participação é de, no mínimo, 0,5% no total do valor da transformação industrial nacional, e para o Nordeste como um todo: Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Região Nordeste.

Os resultados da pesquisa também podem ser consultados no Sidra, o banco de dados do IBGE. A próxima divulgação da PIM Regional, referente a março de 2026, está prevista para 13 de maio.

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